À beira da escrita
Sobre o livro:
Originado de dissertação de mestrado orientada por Ruth Silviano Brandão (UFMG), este ensaio investiga O Lustre, romance de 1946 pouco visitado pela crítica clariceana, tomando a própria palavra-título como operador de leitura: um Aleph borgiano que contém o todo na parte, espraiando-se horizontalmente e concentrando-se num só ponto. O lustre se desdobra em metáforas correlatas — a aranha, a teia, o vaga-lume — que tecem e rompem o fio narrativo em intermitências, revelando os paradoxos centrais da escrita de Clarice: claridade que obscurece, pobreza que se enfeita em excesso, fluidez que convive com a estagnação.
Em diálogo constante com a psicanálise, Zago lê a personagem Virgínia como dobra da própria escritora, ambas tecendo um corpo de fios que se rompem na tentativa de tocar o impossível de nomear. O ensaio percorre também a correspondência de Clarice e a mitificação biográfica que a torna, ela mesma, personagem — um jogo de espelhos entre vida e escrita. No posfácio, Lucia Castello Branco nomeia o gesto do livro: uma leitura que não decifra o enigma, mas habita sua beira.
Sobre a autora:
Ludmilla Zago nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, é psicóloga, psicanalista com extensa prática clínica. Mestre e doutora em literatura brasileira pela FALE UFMG. Trabalhou pelo viés da interlocução entre psicanálise e literatura com as obras de Clarice Lispector e Hilda Hilst. Pesquisou cultura de rua, pixo, e trabalhou na cidade com essas expressões. Segue clinicando, estudando e percorrendo os saberes e escritas que marcaram seu percurso.

