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A vista só se abre no mar

R$ 50,00Preço
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Sobre o livro:

 

       “A vista só se abre no mar” é antes de tudo um tempo fora do tempo. Alguma coisa que se foi deixa um espaço vazio, um vão. É desse espaço-tempo que brota a poesia de Fernanda. Há aqui quase escassez de palavra. Parte-se do vermelho profundo, onde corpos se desfazem... caem... se vão... Das fendas, a necessidade da borda; daí ao imperativo do bordado. Inicia-se pela colheita daquilo que o mar oferta. Costurar a ausência de palavra para aquilo que atravessa o corpo. Bordar os silêncios. Do oco, a tarefa impossível de fazer letra, resgatando o corpo que nem mais há. Mas o vermelho transbordou azul. O mar avança, alaga, contamina. Há de segurar o fôlego, para mergulhar fundo nos azuis. Em cada página que avança, pode-se sentir o gosto da espuma e as marolas de onde vieram. Há, ainda mais, frases construídas com os ventos úmidos em seus azuis, também cheiro de sargaço, pedaços de mangue, madeiras, conchas, búzios, areia e pegadas de quem se aventurou na beira. Com fragmentos do mar fazer um corpo, colocar-se em movimento. “A vista só se abre no mar” é isso: as restantes coisas impossíveis do tempo. E elas se movem e fazem mover, como o mar. 

 

 

Sobre a autora:

 

Fernanda Leal é psicanalista, editora, escritora e artista visual. Formada em psicologia. Mestre (2010) e Doutora (2018) em Família na Sociedade Contemporânea (Ucsal), de onde surgiram seus dois primeiros livros: “O pai: uma função em declínio” (2017) e “A tristeza comum da mãe” (2019); há cerca de 5 anos (2020), iniciou um processo de escrita literária, já há muito latente em germinação. Dessa experiência nasceram alguns livros: “Um nome para o silêncio” (2022), pela editora Cas’a, “esse é o som que escreve” (2023) e “na ponta dos dedos” (2024) pela Amitié Casa Editorial, fundada pela própria escritora. Tem ainda dois contos publicados na Flip-off: “Arranjo” (2022) e “O acumulador de silêncio” (2023). Ao lado da escrita, Fernanda desenvolve um trabalho diário que privilegia os tecidos e bordados e vem fazendo desse encontro entre mar, conchas, tecidos, bordados e palavras sua fonte de vida e arte. “A vista só se abre no mar”, escrita tecida na beira, quase a sentir as águas da maré, é fruto desse encontro entre a palavra e o gesto do bordar fragmentos de mar.

    Amitié Casa Editorial

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