Catarina e o Menino Azul para Sempre
Sobre o livro:
Para ela, Catarina, tudo, tudo era para sempre. Catarina queria saber sobre esse lugar onde tudo se reúne, se conclui. Ainda pequena, instalou-se nesse tempo. Perdia as horas, perdia os dias, perdia os trabalhos do dia, porque o seu tempo, o seu erro, era o eterno. Foi assim, instalada nesse para sempre, que Catarina descobriu o amor nos olhos de um Menino Azul. A menina não sabia bem, mas suspeitava que o menino fosse fascinado pelo infinito. Desde que o azul entrou no seu para sempre, não era a manhã que se misturava ao restante do dia, era o resto da vida que se confundia com ela.
Há um azul que não cabe no tempo, e é desse azul que nasce este livro infantil. Catarina é uma menina que vive instalada no "para sempre" — nas pedras que guardam o tempo sem memória, nos livros que não terminam, nas perguntas sem fundo sobre o eterno. Quando encontra o Menino Azul, descobre o amor como um infinito que também dói, que também se perde, que também precisa ser velado. Janaina de Paula tece uma fábula sobre luto e permanência com a delicadeza de quem sabe que criança também atravessa o irreparável. E, neste livro, a ilustração não é desenho: é tecido. Fernanda Leal borda em linhas e panos o universo azul de Catarina, criando imagens onde o fio costurado faz as vezes do traço — texturas, tramas e rendas que dão corpo físico, quase tátil, à matéria de que são feitas as histórias para sempre.
Sobre a autora:
Janaina de Paula nasceu em Belo Horizonte, cidade onde vive e trabalha. É psicanalista nas horas cheias e escreve nas horas de vazio. Às vezes inverte o tempo e escreve por horas a fio. Faz um percurso diário entre a clínica e a literatura, a escuta e a escrita, o silêncio e a leitura. Nesse passo, recolhe palavras, garimpa histórias, decanta memórias e inventa paisagens.
Sobre a ilustradora:
Fernanda Leal é psicanalista, editora, escritora e artista visual. Adora demorar-se na beira do mar coletando conchas e corais. Tem predileção pelas conchas miúdas e por aquelas em que se pode ver a passagem do tempo, as quebradas, furadas, manchadas, envelhecidas. Com as linhas e os tecidos borda as restantes coisas impossíveis do tempo. Catarina e o Menino Azul para Sempre é seu primeiro movimento na arte de ilustrar livros.

