Por que o amor não pode ser só pecado?
Sobre o livro:
Sob o verniz de uma cidade boa, organizada e funcional, escondem-se as mulheres que não couberam nesse molde — e são elas que tomam a palavra aqui. A coletânea reúne contos, crônicas, poemas e relatos de mulheres que, em algum momento, falharam ao destino prometido e escolheram arriscar.
O amor atravessa o livro sempre torto: a mulher que prefere ser deixada a ter marido, a separada que enfrenta o escárnio social, a catadora que descobre dignidade no próprio ofício, a avó que retorna em sonho. Há também o amor como pecado mesmo — desejo súbito, corpos que se reconhecem antes das palavras. Bordar e costurar aparecem como metáforas recorrentes, fios que unem gerações e remendam vidas em retalhos.
No fim, fica a pergunta que dá título à obra, lançada com um sorriso malicioso: por que o amor, esse que também é risco e transgressão, haveria de caber inteiro dentro da palavra pecado?
Sobre a organizadora:
Priscila Frehse Pereira é psicanalista, autora de Transferência negativa: manejo e limites na clínica psicanalítica (Artes&Ecos, 2022). Membra do Gepef (Grupo de Estudos, Pesquisas e Escritas Feministas). Recentemente, lembrou que também dança. Paranaense, nasceu em Ponta Grossa, morou por 20 anos em Curitiba e hoje vive em São Paulo. Gosta de travessias. A maior parte de seu tempo de trabalho é dedicado à clínica da psicanálise, seu ofício desde 2004.

